sexta-feira, maio 16, 2008

Scrum: comportamento e moralidade

Há poucos dias finalizei a leitura de um fantástico livro chamado "A teoria dos sentimentos morais" de Adam Smith. O ano da primeira publicação deste livro é 1759 e é impressionante como seus conceitos filosóficos são totalmente aplicáveis no mundo de hoje. Conheci este livro a partir de sua citação em um outro, agora de economia, chamado "Freakonomics: o lado oculto e inesperado de tudo que nos afeta" que também é uma leitura fantástica, mas não tão profundo nas questões morais quanto o primeiro (nem é esse seu propósito).
Nestes livros um dos pontos que acho interessantíssimo é quando os autores traçam um mapa em volta da "trapaça"...o que faz algumas pessoas trapacearem e outras não? Tanto Adam Smith (A teoria...) e Levitt/Dubner(Freakonomics) "provam", no primeiro caso através de estudos filosóficos e no segundo através de dados, que a penalidade moral (dentro do que cada um considera moral) afeta muito mais o ser humano do que a penalidade da ameaça (seja física ou através de leis). Por exemplo, grande parte do fato de haver muito menos crime de rua per capta nas áreas rurais do que nas áreas urbanas, é motivado pelo fato de que um criminoso rural corre mais risco de ser identificado por toda a comunidade, o que o deixará envergonhado.

Levando isto para o nosso mundo de gerenciamento de projetos, chegamos a uma pergunta que sempre me é feita nos treinamentos e consultorias: como penalizar alguém que está fazendo "corpo mole"? Pode/Deve um ScrumMaster chamá-lo "no cantinho" para uma conversa? O que fazer já que não existe "o chefe"? Minha resposta é: se você utilizar bem a sua retrospectiva e for um bom facilitador, você deixará de se fazer essa pergunta logo após a primeira sessão desta reunião.

Encontrei em Scrum a ferramenta perfeita para gerenciamento de projetos, não simplesmente pela sua agilidade, ou pelo processo iterativo. Scrum é muito mais do que isso! Scrum te dá práticas formidáveis para a aplicação do bom comportamento e moralidade dentro do seu time! E é disso que nossos times precisam, como já foi falado no Snowbird Ski quando da reunião que resultou no Manifesto Ágil.
Veja, o que deve ser feito para que um indivíduo, membro de um time, tenha um melhor comportamento na próxima Sprint?
a) Um chefe chamá-lo para conversar;
b) Fazer, dentro de uma sessão de retrospectiva, emergir no time sentimentos que o façam parar para pensar sobre seu comportamento na última Sprint;

Com certeza (os números provam, minha experiência também) a resposta b é a correta. Mas, o que você tem feito em suas retrospectivas para que isso aconteça? Tenho visto dezenas de times utilizando as práticas do Scrum de forma muito superficial, como se fosse um código binário a ser executado. Sua reunião diária está mecânica demais? Você faz restrospectiva e na Sprint seguinte muitos problemas e comportamentos voltam a aparecer? Seu time continua tendo o comportamento de antigamente? É hora de repensar se você realmente está sabendo utilizar as ferramentas que Scrum lhe oferece.

Pense nisso!

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